1971 foi o último ano em que carreteras foram pilotadas em corridas brasileiras contemporâneas, salvo em eventos contra o relógio. O grande número de novos e potentes carros de corrida importados, e bem desenvolvidos protótipos brasileiros tornaram as carreteras completamente inadequadas para as corridas. Mesmo Camilo Christofaro, que desenvolveu um carro de corrida rápido e mais equilibrado do que a maioria das carreteras, usou o carro algumas vezes durante o decorrer do ano, competindo pela última vez na Prova Brasil, realizada em 11 de dezembro em Interlagos. Na corrida seguinte, pilotou um Furia equipado com motor Ferrari, sinalizando o fim de uma era. Nelson Marcílio e Juan Gimenez também pilotaram uma carretera Ford nas 12 Horas de Interlagos, terminando em 15o., enquanto Antonio Carlos Aguiar tem a honra de usar pela última vez uma carretera em uma corrida, quando competiu na prova Argentina, em 19 de dezembro em Interlagos. Aguiar também pilotou o carro, rebatizado Santilli-Chevrolet, nos km 500 de Interlagos, sem sucesso.
Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami
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Wednesday, March 27, 2013
Monday, February 18, 2013
MIL MILHAS DE 1965
Por Carlos
de Paula
Em 1965 as
Mil Milhas já eram, de longe, a prova mais tradicional do calendário brasileiro.
Mas, coisas de Brasil, a corrida não era disputada desde os idos de 1961! No
centro da questão estava a pergunta: quem tinha direito de realizar competições
no Brasil? As brigas entre os Automóveis Clube e as Federações parecia chegar a
um final, ou pelo menos uma trégua neste final de 65, com certeza devido à
intervenção de um general de verdade, Elói Menezes. E esta era a época dos
generais. Na véspera da corrida, uma surpresa: o Automóvel Clube do Brasil
ameaçava suspender de atividades internacionais todos os pilotos que
participassem da prova. Ou seja, no auge da participação das fábricas no
automobilismo brasileiro, as Mil Milhas ficaram ausentes do calendário, e agora
que a corrida voltava, as fábricas estavam ausentes. De qualquer forma a corrida
foi disputada já no fim de 1965, após um ano muito disputado entre as fábricas,
e as coisas pareciam estar tomando um rumo para o pior para as equipes oficiais.
As Simca Abarth se foram para a Itália, havia rumores desconcertantes sobre a
Vemag, e a Willys simplesmente não compareceu, receosa da retaliação (a equipe
iria participar do Torneio de F-3 na Argentina no início de 1966, com o
Gávea).
Camilo disparou na frente, mas quebrou. Sua vez chegaria...logo.
Isto não
tirou o brilho das Mil Milhas de 1965. Lá estavam Camilo Christófaro e sua
carretera, em dupla com Antonio Carlos Aguiar. Também presente, o grande gaúcho
Catharino Andreatta, em dupla com seu filho Vittorio. E uma série de outras
carreteras, como a de Caetano Damiani, Justino de Maio, Zé Peixinho, José Vera,
Luiz Valente e o também grande Breno Fornari, com uma carretera “Simca”. A
equipe Jolly apareceu com suas Alfas 25 e 23, com Emilio Zambello, Marivaldo
Fernandes, Piero Gancia e Ruggero Peruzzi. Também corria um JK muito competitivo
(já chamado FNM!), com Jaime Pistilli e Leonardo Campana, além de um sem número
de DKWs, Gordinis/1093 e Simcas, perfazendo um total de 39 bólidos. Todos
ameaçados de suspensão.
Caetano
Damiani e Bica Votnamis chegaram em 2o. com a 34
Briga entre Damiani e Gancia com a Alfa 23
antes de quebrar
Camilo
Christófaro demonstrou a sua intenção de coroar um bom ano com a sua primeira
vitória nas 1000 Milhas, e saiu na cola de Caetano Damiani, que largara melhor,
logo passando para a ponta. Em terceiro outra carretera, de Justino, seguido das
duas Alfas e de um FNM, de Ugo Galina. Catharino Andreatta estreava um motor,
que amaciava na própria corrida, portanto não estava nas primeiras posições. O
train de corrida foi vagaroso desde o início, nunca inferior a 4 minutos, e
durante a noite, mais um cavalo foi atropelado numa Mil Milhas. Desta feita, o
azarado foi Francisco Zeni, mas pelo menos saiu incólume do acidente. E Totó
Porto filhou capotou com seu Gordini, também sem machucar-se.
Ruggero Peruzzi empurrando a Alfa 23, cujo tanque de gasolina quebrou: a
esta altura, completamente intoxicado
Camilo e
Aguiar lideraram durante um bom tempo, até as três e meia da madrugada. Na
73a volta, Camilo estaciona no Sargento, com quebra da ponta de eixo.
Pelo menos Camilo e Aguiar ganharia a última corrida de 1965, as 250 Milhas.
Assim Camilo/Aguiar deixara a liderança com Caetano Damiani, que fazia parceria
com Bica Votnamis. Atrás deles já estava Andreatta, que assumiu a liderança às
6:30. Infelizmente, a última 1000 Milhas de Andreatta não seria coroada com
vitória. Seu filho Vittorio dirigia quando quebrou a direção do carro. Assim,
com as falhas da carreteras, assumia a ponta Piero Gancia e sua fiel Alfa 23.
Entretanto, seu tanque de gasolina se desprendeu após meia hora na liderança,
jogando ao ar uma vitória potencialmente fácil. O piloto Ruggero Peruzzi se
intoxicou com o forte cheiro do combustível no carro, no qual foi improvisado um
desastrado tanque de plástico!
Após tantas
mudanças de liderança, finalmente chegou à ponta a carretera de Justino de Maio
e Vitório Azzalin, que não mais largaram a primeira posição. Justino teve boas
atuações no passado, inclusive nos 500 km de Interlagos, mas não se podia dizer
que era um “piloto de ponta”. Muito menos Azzalin. Mas este era o dia deles, não
era o dia dos rápidos e feras. Até a Alfa 25 de Zambello, que subira muitas
posições após ficar mais de uma hora nos boxes, chegando ao segundo posto,
começou a apresentar muitos problemas. Assim a dupla paulista acabou ganhando a
prova, literalmente na maciota, e novamente a corrida foi ganha por uma
carretera. A corrida acabou sendo também o melhor resultado de Bica Votnamis
numa disputa importante, pois chegou em segundo com Damiani na carretera
Corvette n° 34. Em terceiro, o FNM de Pistilli
e Campana, que fez boa corrida desde o começo, seguido do mítico Breno Fornari,
em dupla com Nestor Kosch e a Equipe Gancia. Classificado em 16° o futuro campeão do mundo Emerson
Fittipaldi, em começo de carreira com um humilde 1093. Outro fato curioso foi o
apelido presunçoso do companheiro do sempre vagaroso Inacio Terrana: T.
Nuvuolari(!!!!)
Classificação final das Mil Milhas Brasileiras
de 1965 27/11/1965
|
Posição/Pilotos
|
Número/Carro
|
Voltas
|
|
1. Justino
de Maio/Vitório Azzalim Filho
|
Carretera
Chevrolet Corvette n° 50
|
201
|
|
2. Caetano
Damiani/Bica Votnamis
|
Carretera
Chevrolet Corvette n° 34
|
199
|
|
3. Jaime
Pistilli/Leonardo Campana Filho
|
FNM
n° 5
|
185
|
|
4. Breno
Fornari/Nestor Koch
|
Carretera
Simca n° 35
|
184
|
|
5.
Marivaldo Fernandes/Emilio Zambello/Piero Gancia/Ruggero Peruzzi
|
Alfa Romeo
Giulia n° 25
|
182
|
|
6. Fernando
Pereira/Helio Mazza
|
Renault
1093 n° 75
|
180
|
|
7. Armando
Lagoeiro/Abelardo Aguiar
|
Volks
Porsche n° 45
|
178
|
|
8. Charles
Marzanasco/Osorio Araujo
|
DKW
n°19
|
177
|
|
9. Eduardo
Celidonio/Adão Brito Daher
|
Carretera
Gordini n° 99
|
177
|
|
10. Luiz
Valente/Luiz Valente Filho
|
Carretera
Ford n° 22
|
174
|
|
11. Luiz
Felipe Gama Cruz/Coruja
|
Renault
1093 n° 27
|
173
|
|
12. Claudio Bernard/Edward
Nahun
|
Simca
n° 87
|
173
|
|
13. Clovis
Bueno/João Batista Caldeira
|
Renault
1093 n° 85
|
172
|
|
14.
Valdomiro Pieski/Expedito Marazzi
|
DKW
n° 32
|
170
|
|
15. Arlindo
Viginewski/Jose Vera Filho
|
Chevrolet
Corvette n° 61
|
167
|
|
16.
Marivaldo Fernandes/Emilio Zambello/Piero Gancia/Ruggero Peruzzi
|
Alfa Romeo
Giulia n° 23
|
159
|
|
17. Marcelo
Audra/Silvano Pozzi
|
VW
Carretera n° 9
|
157
|
|
18. Emerson
Fittipaldi/Antonio Verda
|
Renault
1093 n° 16
|
155
|
|
19.
Aguia/Pardal
|
Gordini
n° 40
|
149
|
|
20. Ugo
Galina/Luciano Borghese
|
FNM
n° 39
|
149
|
|
21. Luciano
Bonnini/Chuvisco
|
Fiat
Stanguelini n° 30
|
145
|
|
22.
Arquimedes/Santo
|
DKW
n° 37
|
143
|
|
23.
Mago/Antonio Duarte
|
Renault
1093 n° 8
|
142
|
|
24. Nilo
Barros Vinhais/Roberto Dal Pont
|
DKW
Protótipo n° 20
|
139
|
|
25. Volante
13/Roberto G. Mendonça
|
DKW Mickey Mouse n°
13
|
123
|
|
26. Zé
Peixinho/Aires Bueno Vidal
|
Chevrolet
Corvette carretera n° 7
|
123
|
|
27. Catharino Andreatta/Vittorio
Andreatta
|
Carretera
Chevrolet Corvette n° 2
|
120
|
|
28.
Ariberto Iassi/Luiz Carlos Sansone
|
Alfa
Giulietta n° 28
|
122
|
|
29. Osmar
Coutinho/Mario Puchielli
|
Carretera
Ford n° 36
|
106
|
|
30. Roberto
Argentino Gomes/Rui Santiago
|
Simca
n° 82
|
106
|
|
31. Inacio
Terrana/T. Nuvuolari
|
Simca
n° 51
|
96
|
|
32. Jeff
Gagá/Zoroastro Avon
|
Gordini
n° 88
|
75
|
Friday, February 15, 2013
NOVAS E VELHAS CARRETERAS
Por Carlos
de Paula
O carro
híbrido é uma tradição do automobilismo brasileiro. Seja pelas condições
econômicas do país, pela distância dos centros de maior desenvolvimento do
automobilismo ou mesmo pela inventividade do nosso povo, o automobilista
brasileiro, durante grande parte da história do automobilismo tupiniquim,
procurou adaptar chassis, componentes e motores de eras e fabricantes diferentes
em automóveis de competição.
Nos anos
30, diversos pilotos empreendedores criaram carros especiais para correr na
corrida da Gávea e em outras (raras) provas, geralmente baseados em Fords,
Chevrolets, Studebakers e outros carros americanos, sem muita chance contra os
carros puros de competição Alfa-Romeo, Maserati, Bugatti e até mesmo Auto-Union.
Estes híbridos em geral pouco se pareciam com os carros de turismo originais nos
quais se baseavam. Foi nesse espírito, e calcado na experiência argentina (o
Turismo de Carretera com longas corridas de estrada), que surgiu no Brasil a
categoria de Mecânica Nacional, mais conhecida como carreteras. Na sua forma
mais marcante as carreteras eram baseadas em cupês americanos dos anos 30 e 40,
com mecânica Chevrolet, Ford, Cadillac ou Studebaker. Os motores eram V8s
americanos potentes, os carros tinham uma aparência mista de brabos e ao mesmo tempo, inócuos. Os
pára-lamas eram retirados da frente, dando uma certa pinta de monoposto à parte
frontal do carro, com a traseira obviamente herdada dos cupês de rua, alguns
lembrando os velhos táxis de São Paulo. Os carros freqüentemente usavam
diferenciais de carros de corrida, transmissão de um fabricante, motor de outro.
O ponto mais fraco das carreteras era a suspensão. Nas curvas mais fechadas de
Interlagos, as carreteras geralmente eram batidas por pequenos e mais estáveis
Gordinis e DKWs, com um quinto da cilindrada. Na sua última fase algumas
carreteras eram equipadas com poderosos motores Chevrolet Corvette, alguns dizem
com mais de 400 HP, embora nos anos 50 fossem mais comuns as carreteras Ford.
Carretera Chervolet Corvette 18 de Camilo
Cristófaro
Close da 18. Foto cortesia de
Rogério P.D. Luz
As
carreteras fizeram muito sucesso no Brasil entre as décadas de 40 até meados da
década de 60. A mais famosa, sem dúvida,
foi a número 18 de Camilo Cristofaro, cor creme, e também a carretera com melhor
aerodinâmica e aparência mais moderna, por ser rebaixada. Entre outras corridas,
a 18 ganhou as 1000 Milhas de 1966, Camilo em dupla com Eduardo
Celidônio, inúmeras provas em Interlagos, e correu até 1971. Digamos, a “18” foi
a última das moicanas, e correu contra Porsches, Lolas e Ferraris na Copa Brasil do final de
1970. O próprio Camilo assumiu que a carretera já estava ultrapassada, e no ano
seguinte passou a correr com um protótipo Fúria-Ferrari, depois equipado com
motor Chrysler. A carretera 18 participou de inúmeras provas de longa distância
em Interlagos, mas também participou de corridas curtas, sendo eficaz em ambas.
Cabe salientar que a “18” não foi a única carretera de Camilo. Em 1957, Camilo correu em dupla com
Djalma Pessolato em uma carretera preparada por Camilo. Na 43a, volta
Djalma quase se chocou com um cavalo, freqüentes visitantes de Interlagos na
época, acidentou-se, vindo a falecer dos ferimentos. O carro foi completamente
destruído. A 18 não foi o único carro de corrida utilizado por ele nesta fase da
sua carreira. Também correu na mecânica-continental (veja artigo)com um
Maserati 250F com motor Chevrolet, Maseratis esporte, com FNM JK, e com uma
Ferrari 250 GTO, na qual ganhou uma importante corrida no Rio de Janeiro, em 1965. Mais tarde, correu
de Maverick na D-3 e D1, e com Chevrolet Opala, no qual fez sua última corrida
em 1979. Raramente corria fora de São Paulo.
Carretera Ford de Breno Fornari, 1956
Outras
carreteras a fazer sucesso eram as dos gaúchos, principalmente Norberto Jung,
Catarino Andreatta, Vitorio Andreatta, Julio Andreatta, , Raul Fernandes,
Aristides Bertuol, Italo Bertão, Orlando Menegaz, Breno Fornari, Jose Asmuz,
Diogo Ellwanger, Nactivo Camozzato, Waldir Rebbeschini e Aldo Finardi. Quase
todo automobilismo gaúcho dos anos 40 até meados dos anos 60 era disputado com
provas de carreteras, inclusive em diversas cidades do interior. Quando o radialista
Wilson Fittipaldi pai concebeu as Mil
Milhas com Eloy Gogliano, o conceito não foi abraçado com muito entusiasmo por
paulistas, habituados com corridas de carros esporte e monopostos, mais curtas,
em formato de GP. O jeito foi convidar os gaúchos, entusiasmados com as provas
de longa duração e carros de rua adaptados, e estes, de fato, dominaram a fase
inicial das Mil Milhas, ganhando cinco das primeiras seis edições disputadas. No
Rio Grande do Sul, na época sem autódromo, disputavam-se muitas corridas em
estradas de terra e em circuitos urbanos de rua. Norberto Jung e Catarino
Andreatta foram, sem dúvida, dois grandes expoentes dessa época do automobilismo
gaúcho.
A 34 de Cateano Damiani. Esta deu trabalho para
Camilo
Outros
paulistas, como Caetano Damiani e Nelson Marcilio, também fizeram sucesso, assim
como Justino de Maio e Vittorio Azalin, os últimos, vencedores das 1000 Milhas de 1965. No
Paraná, Altair Barranco, Angelo Cunha e José Cury eram os reis das carreteras,
fazendo inclusive sucesso no Rio Grande do Sul. Diversos outros paranaenses, e
alguns catarinenses, participaram das primeiras edições das Mil Milhas com suas
carreteras. Todos os grandes pilotos dos anos 50, e alguns dos anos 60, correram
de carreteras: Chico Landi, Ciro Cayres, Celso Lara Barberis, Eugenio Martins,
Fritz D'Orey, Luis Valente, Djalma Pessolato, Jose Gimenez Lopes, Godofredo
Vianna, Luis Margarido, Emílio Zambello, Claudio Daniel Rodrigues, Rosalvo
Mansur, Antonio Carlos Avallone, Antonio Carlos Aguiar, Afonso Aguiar. Além de
outros, não tão famosos, que contribuiram para o show: Aires Bueno Vidal, Zé
Peixinho, Berco Acherboim, Bica Votnamis, etc. Outros híbridos na época eram os
mecânica-continental. Para mais informações (veja artigo.)
Corrida de Carreteras no Rio Grande do
Sul
Carretera Ford do paranaense Altair Barranco
em rara aparição fora do Paraná. Subida de Montanha em Petrópolis, 1967. Foto de
Tulio Mendonça Mario
Cabe aqui
um parentesis. O Brasil não era, obviamente, o único país onde proliferavam
híbridos. Na tradição de hot-rodding, surgiram muitos carros híbridos de
competição nos Estados Unidos durante a década de 40 e 50. Geralmente, eram
desenvolvidos por pilotos que não tinham cacife para comprar Ferraris, OSCAS e
outros carros esporte, eram chamados de “Special”, e equipados com motores
Buick, Ford, Chevrolet, etc. A Argentina, segundo vimos, foi o berço das
carreteras na forma em que passamos a conhecer aqui. Como o nome indica, eram
carros adaptados para correr em “carreteras”, ou seja, estradas, as épicas
corridas de longa distância que cortaram o continente sul-americano – portanto,
além de rápidos tinham de ser forçosamente resistentes. De fato, as carreteras
não se expandiram só no Brasil, mas também no Uruguai, Peru e Chile. Híbridos
argentinos participaram, em massa, da segunda edição dos 1000 km de Buenos Aires
de 1955, obviamente sem nenhuma chance contra oponentes europeus (veja artigo). Mas assim
marcaram sua presença no automobilismo de nível internacional. Com o passar do
tempo, as carreteras argentinas foram se modernizando, e, de fato, ainda existe
a categoria Turismo de Carretera (TC) na Argentina, mas os carros em nada
parecem seus precursores, que obtiveram uma aparência mais moderna já durante a
década de 60.
Carretera argentina dos anos 40
Nos anos 60 as carreteras argentinas já não se
pareciam mais com carreteras...
Entre as
carreteras tradicionais, corriam também alguns outros carros de menor porte,
como DKWs e até mesmo Gordinis, com os pára-lamas removidos ou cortados, e às
vezes até o teto rebaixado, que os excluía da categoria turismo. Com a remoção
de lataria ficavam mais leves, e assim, mais rápidos. Por correr na categoria
Força Livre (outro nome para as carreteras), os preparadores tinham mais
liberdade para modificar os veiculos. Alem disso, principalmente nos últimos
anos da categoria, não havia carros V8 suficientes para preencher mesmo um grid
pequeno, daí o artifício. A própria equipe Vemag tinha sua carretera, o DKW
Mickey Mouse do Volante 13, que, entre outros, um dia teve a distinção de ser
pilotado por um certo Juan Manuel Fangio em Interlagos. E a equipe de fábrica da
Simca ganhou os 1600 KM de Interlagos de 1963, com Jaime Silva/ Ciro
Cayres, com uma carretera Simca, de duas portas e teto rebaixado, batendo os
experts Andreatta/Breno Fornari.
Fangio pilotando a Mickey Mouse da Vemag, em
Interlagos
Além
disso, construíam-se carreteras com motores de menor potência, por exemplo, a
carretera Fiat usada por Emilio Zambello no início da sua carreira, que fez
bastante sucesso. Nas corridas de carreteras também corriam Alfas importadas,
Volvos, Fiats, etc. Só que estes carros geralmente não eram híbridos, pois toda
sua parte mecânica e carroceria pertenciam a um único fabricante. Digamos que
foi necessário ampliar um pouco a definição do termo para garantir a
sobrevivência da categoria.
Mas dentro
desse mesmo “espírito híbrido”, Christian Heins e Eugênio Martins colocaram um
motor Porsche 1600 num humilde Fusquinha, e quase deu zebra na primeira edição
das Mil Milhas, em 1956,
contra forte contingente de carreteras do Sul e de São Paulo. Chegaram em
2o. Lá pelos idos de 1966, as carreteras começavam a se tornar
anacrônicas, apesar da vitória de Camilo/Celidônio nas 1000 Milhas. Mas outro
carro com espírito híbrido fez muito sucesso naquele ano: os Karmann Ghias
equipados com motor Porsche, da Equipe Dacon, híbrido que apareceu nas pistas
pela primeira vez em 1964
e é muito lembrado até hoje.
Com o
surgimento da Divisão 3 e Divisão 4, basicamente os híbridos ficaram deslocados,
não tinham onde correr. Não eram carros turismo, nem tampouco,
esporte-protótipos. E assim foram desaparecendo, pouco a pouco, do cenário das
competições. Mas não no automobilismo de rua. Amantes de carros antigos
brasileiros, principalmente Simcas e Gordinis, adaptaram motorizações híbridas
nos seus carros, entre outras coisas, por falta de opções. Com o passar dos
anos, tornou-se quase impossível arranjar peças e blocos de Simcas, DKWs e
Gordinis. Assim que não é incomum ver Simcas rodando com motores Opala, Gordinis
com motores Corcel adaptados e DKWs sem o típico bu-pu-bu do motor 2 tempos. O
espírito dos híbridos permaneceu no coração brasileiro.
Não é de se
estranhar que tenha surgido uma categoria de competição com esse espírito, em
São Paulo. O campeonato de Autos Antigos de 2004 já conta com 30 participantes,
desenterrando e trazendo de volta às pistas Berlinettas Interlagos, DKWs, FNMs
JK, Fuscas, Pumas, Gordinis, carreteras, etc. O campeonato difere do Campeonato
de Clássicos, também corrido em São Paulo, que conta com a participacão de
diversas Alfas GTA. Muitos desses carros são carros de turismo, embora antigos,
mas diversos são verdadeiras carreteras, embora não haja nenhuma no molde
“Chevrolet Corvette V8”. A categoria tem três subcategorias, 1, 2 e 3. Um dos
carros mais fortes da categoria é um Willys Interlagos equipado com motor Ford
Escort, pilotado pelo veterano Luis Evandro Águia. Um dos DKWs, o de Nivaldo
Almeida, se enquadra bem no espírito híbrido: é equipado com um motor AP, em vez
do venerado 2 tempos de 1 litro. E a Fiat Topolino de Luis Finotti é uma
verdadeira mini-carretera. Vejam as fotos a seguir. Ou seja, as carreteras ainda
vivem em São Paulo!
Quem diria, em pleno 2004 um DKW correndo em
Interlagos. Carretera de Flavio Gomes
VELHAS
CARRETERAS GOZANDO APOSENTADORIA...
Wednesday, February 13, 2013
A Carretera 18
Creio que nenhum carro de corrida tenha gerado tanta paixão e deixado tantas lembranças, como a carretera 18 de Camilo Christófaro. Hoje, quase 36 anos depois de ter feito a sua última corrida, e a 40 de ter atingido o seu auge, o carro ainda é lembrado. De fato, em quase todas as contribuições que recebo, há algo com a “18” no meio. Diz-se que gosto não se discute, mas vou tentar da minha forma discorrer sobre o porque dessa paixão.
A “18” não foi a única carretera construída por Camilo Cristófaro. O automobilismo brasileiro de antanhos é extremamente indocumentado, e Camilo já se foi há alguns anos. Mas, pelas minhas contas, Camilo construiu e disputou corridas com pelo menos três carreteras diferentes. A primeira foi perdida nas Mil Milhas de 1958, em acidente fatal envolvendo o seu co-piloto Djalma Pessolato. Visualmente, identifiquei pelo menos uma outra carretera usada por Camilo, cuja aparência é mais similar a das outras carreteras da época e sei que ele vendeu uma carretera para Catharino Andreatta em 1962.
Acho que a principal razão da paixão pela “18” é a sua aparência. As carreteras tradicionais eram construídas com base em cupês Ford e Chevrolet dos anos 30/40, portanto, eram carros altos. Com a retirada dos para-lamas, muitas ficavam desengonçadas, e outras feias. A carretera de Aires Bueno Vidal, por exemplo, era horrível, completamente desproporcional. Quase todas ficavam com aparência de carros antiquados ou “calhambeques”.
Já a “18” era rebaixada, com parabrisa inclinado e Camilo deu um tratamento mais esmerado na caixa do motor, que parecia uma frente de charutinho, criando um conjunto muito mais harmonioso. Adicione-se uma bela cor creme, e pneus largos nas suas últimas aparições, e pronto, temos um belo carro de corridas.
Na realidade, os gaúchos eram especializados nas carreteras, conceito que havia sido herdado dos argentinos. Até meados dos anos 50, não havia corridas de carreteras em São Paulo ou Rio de Janeiro. As carreteras tinham seus defeitos, mas entre suas virtudes estavam a grande potência e resistência, essenciais para corridas nas estradas de terra do Rio Grande. Assim os gaúchos acabaram por dominar os primeiros anos das Mil Milhas, batendo os paulistas e cariocas, que estavam mais acostumados a correr com carros esporte ou de origem européia, em corridas mais curtas. A categoria acabou ganhando força em São Paulo, no final da década e começo da década de 60.
Quando a nova “18” apareceu, por volta de 1963, os carros de carreteras e mecânica continental já começavam a ficar anacrônicos e as corridas dessas categorias tinham cada vez menos participantes. Em São Paulo, somente Caetano Damiani tinha uma carretera em condições de enfrentar Camilo. Outros especialistas na categoria, como Nelson Marcilio, Aires Bueno Vidal, Zé Peixinho, Donalto Malzone, não tinham carros em condição de enfrentar Camilo.
Camilo ganhou muitas corridas com a 18, principalmente provas curtas do Campeonato Paulista, mas também algumas provas mais longas, como as 250 Milhas de Interlagos de 1965. Seus desafetos, entretanto, diziam que Camilo só corria com carros superiores ao da oposição, tentando tirar os méritos dos seus muitos triunfos.
Em 1966 a categoria Força Livre já parecia estar no fim em São Paulo. Embora uma carretera tenha ganho as Mil Milhas de 1965, com Justino de Maio e Vittorio Azalim, este carro não disputou as provas do Campeonato Paulista, que novamente foi ganho por Camilo com certa facilidade. Para encher os grids, corriam “carreteras” VW, Gordini, DKW e outros carros que não passavam de Grupo 5 disfarçados. Eventualmente a categoria carretera se tornou "protótipo CBA".
As Mil Milhas continuavam a ser a principal prova do ano, e a edição de 1966 contaria com muitos carros de concepção moderna, prontos para abocanhar o prêmio máximo do automobilismo brasileiro. Entre outros, estariam presentes a Equipe Dacon, com bem preparados Karmann Ghia Porsche e excelentes pilotos; a Willys, com seus Alpines; diversos GT Malzoni, com os ex-pilotos de fábrica da Vemag; a ex-carretera da Simca com Jayme Silva/Toco; Alfas da equipe Jolly, além de Brasincas de fábrica. Camilo não pilotaria a única carretera, mas certamente, a sua seria a única com algum tipo de chance de boa colocação. As Chevrolet Corvette de Justino de Maio/Décio D’Agostino e Vittorio Azzalim/ Expedito Marazzi, e a Ford de Nelson Marcilio/Donato Malzoni não pareciam ter chances contra os leves GTs e jovens do quilate dos irmãos Fittipaldi, Moco, Lameirão, Bird Clemente, Luis Pereira Bueno, Norman Casari e outros.
Os detratores de Camilo podiam basear suas opiniões num mero fato: Camilo nunca havia ganho uma única edição dos 500 km de Interlagos ou das Mil Milhas, as duas principais provas do automobilismo brasileiro. Chegou próximo, mas nunca ganhara. E quase sempre quebrava.
Com um grid tão cheio de talento e carros bem preparados, só os mais ardentes fãs do Lobo do Canindé poderiam esperar por uma vitória de Camilo neste dia. Como sempre, Camilo foi rápido nos treinos, sem dúvidas graças à cavalaria do motor Corvette. Com 3m55,6s, Camilo só ficou atrás de Wilson Fittipaldi Jr., com um KG Porsche (3m38,2s) e Luis Pereira Bueno com Alpine (3m47,8s). Diversos carros trocaram a liderança no começo da corrida, alternando entre os KG e Alpines, e Camilo e seu jovem companheiro Eduardo Celidonio ficaram na cola. O Alpine ficou na liderança até as 4h30, até abandonar. Pace/Totó Porto assumiram a liderança com um KG-Porsche, mas também abandonaram. Passaram para a liderança os jovens Jan Balder e Emerson Fittipaldi, com um Malzoni. Parecia que finalmente a DKW ganharia a prova maior do automobilismo brasileiro, ironicamente após fechar o seu departamento de competições. Próximo do final da corrida, com 195 voltas, o motor do Malzoni ponteiro começou a ratear, e Celidônio estava fazendo voltas em ritmo forte, na base de 3m55s. Balder parou, Celidônio assumiu a ponta, e a duas voltas do final, Camilo acenou para Celidônio que era necessário abastecer. O carro parou nos boxes e morreu. Balder era o segundo, mas seu carro estava completamente combalido. A carretera finalmente pegou, e Camilo/Celidônio ganharam a corrida, além de marcar a melhor volta em 3m45s.
A vitória que faltava a Camilo fora finalmente obtida. E a meu ver, é esta vitória que faz da carretera 18 uma verdadeira lenda do automobilismo brasileiro. Foi um triunfo pessoal de Camilo Christofaro, mas inseriu a “18” na psique dos fãs brasileiros.
Camilo terminou o ano acidentado na prova da Rodovia do Café, com o carro estropiado. Apesar disso, tentou ganhar as Mil Milhas mais uma vez, em 1967 sem sucesso. Entretanto, chegara em 2o. nas 12 Horas de Interlagos e ganhara as 100 Milhas, com a 18. A carretera foi sendo renovada, ganhando pneus mais largos, e continuou competitiva nos três anos seguintes. Correndo em lugares como Curitiba, na Rodovia do Xisto, na Inauguração de Tarumã, e em Interlagos a 18 continuou a resistir ao tempo. Ganhou uma prova de arrancada na Marginal do Rio Pinheiros, e se tornou recordista brasileira de velocidade, batendo um Lamborghini Miura novinho em folha. E - acinte dos acintes - foi inscrita na Copa Brasil de 1970, torneio internacional para protótipos, que contaria com a presença de pilotos europeus e asiáticos. Apesar da fraca concorrência, a carretera não foi bem e abandonou todos os rounds.
Em 1971, o fim parecia estar próximo. Nas 12 Horas de Interlagos, abandono. Por fim, a derradeira aparição da 18, no torneio Argentino/Brasileiro, na prova Brasileira em Interlagos. Abandonou. Já na prova seguinte, Camilo estreava seu protótipo Fúria Ferrari, fechando um capítulo glorioso do automobilismo brasileiro. Esta, a última razão por esta paixão: resistiu honrosamente ao tempo, concluindo o ciclo das carreteras.

A “18” não foi a única carretera construída por Camilo Cristófaro. O automobilismo brasileiro de antanhos é extremamente indocumentado, e Camilo já se foi há alguns anos. Mas, pelas minhas contas, Camilo construiu e disputou corridas com pelo menos três carreteras diferentes. A primeira foi perdida nas Mil Milhas de 1958, em acidente fatal envolvendo o seu co-piloto Djalma Pessolato. Visualmente, identifiquei pelo menos uma outra carretera usada por Camilo, cuja aparência é mais similar a das outras carreteras da época e sei que ele vendeu uma carretera para Catharino Andreatta em 1962.
Acho que a principal razão da paixão pela “18” é a sua aparência. As carreteras tradicionais eram construídas com base em cupês Ford e Chevrolet dos anos 30/40, portanto, eram carros altos. Com a retirada dos para-lamas, muitas ficavam desengonçadas, e outras feias. A carretera de Aires Bueno Vidal, por exemplo, era horrível, completamente desproporcional. Quase todas ficavam com aparência de carros antiquados ou “calhambeques”.
Já a “18” era rebaixada, com parabrisa inclinado e Camilo deu um tratamento mais esmerado na caixa do motor, que parecia uma frente de charutinho, criando um conjunto muito mais harmonioso. Adicione-se uma bela cor creme, e pneus largos nas suas últimas aparições, e pronto, temos um belo carro de corridas.
Na realidade, os gaúchos eram especializados nas carreteras, conceito que havia sido herdado dos argentinos. Até meados dos anos 50, não havia corridas de carreteras em São Paulo ou Rio de Janeiro. As carreteras tinham seus defeitos, mas entre suas virtudes estavam a grande potência e resistência, essenciais para corridas nas estradas de terra do Rio Grande. Assim os gaúchos acabaram por dominar os primeiros anos das Mil Milhas, batendo os paulistas e cariocas, que estavam mais acostumados a correr com carros esporte ou de origem européia, em corridas mais curtas. A categoria acabou ganhando força em São Paulo, no final da década e começo da década de 60.
Quando a nova “18” apareceu, por volta de 1963, os carros de carreteras e mecânica continental já começavam a ficar anacrônicos e as corridas dessas categorias tinham cada vez menos participantes. Em São Paulo, somente Caetano Damiani tinha uma carretera em condições de enfrentar Camilo. Outros especialistas na categoria, como Nelson Marcilio, Aires Bueno Vidal, Zé Peixinho, Donalto Malzone, não tinham carros em condição de enfrentar Camilo.
Camilo ganhou muitas corridas com a 18, principalmente provas curtas do Campeonato Paulista, mas também algumas provas mais longas, como as 250 Milhas de Interlagos de 1965. Seus desafetos, entretanto, diziam que Camilo só corria com carros superiores ao da oposição, tentando tirar os méritos dos seus muitos triunfos.
Em 1966 a categoria Força Livre já parecia estar no fim em São Paulo. Embora uma carretera tenha ganho as Mil Milhas de 1965, com Justino de Maio e Vittorio Azalim, este carro não disputou as provas do Campeonato Paulista, que novamente foi ganho por Camilo com certa facilidade. Para encher os grids, corriam “carreteras” VW, Gordini, DKW e outros carros que não passavam de Grupo 5 disfarçados. Eventualmente a categoria carretera se tornou "protótipo CBA".
As Mil Milhas continuavam a ser a principal prova do ano, e a edição de 1966 contaria com muitos carros de concepção moderna, prontos para abocanhar o prêmio máximo do automobilismo brasileiro. Entre outros, estariam presentes a Equipe Dacon, com bem preparados Karmann Ghia Porsche e excelentes pilotos; a Willys, com seus Alpines; diversos GT Malzoni, com os ex-pilotos de fábrica da Vemag; a ex-carretera da Simca com Jayme Silva/Toco; Alfas da equipe Jolly, além de Brasincas de fábrica. Camilo não pilotaria a única carretera, mas certamente, a sua seria a única com algum tipo de chance de boa colocação. As Chevrolet Corvette de Justino de Maio/Décio D’Agostino e Vittorio Azzalim/ Expedito Marazzi, e a Ford de Nelson Marcilio/Donato Malzoni não pareciam ter chances contra os leves GTs e jovens do quilate dos irmãos Fittipaldi, Moco, Lameirão, Bird Clemente, Luis Pereira Bueno, Norman Casari e outros.
Os detratores de Camilo podiam basear suas opiniões num mero fato: Camilo nunca havia ganho uma única edição dos 500 km de Interlagos ou das Mil Milhas, as duas principais provas do automobilismo brasileiro. Chegou próximo, mas nunca ganhara. E quase sempre quebrava.
Com um grid tão cheio de talento e carros bem preparados, só os mais ardentes fãs do Lobo do Canindé poderiam esperar por uma vitória de Camilo neste dia. Como sempre, Camilo foi rápido nos treinos, sem dúvidas graças à cavalaria do motor Corvette. Com 3m55,6s, Camilo só ficou atrás de Wilson Fittipaldi Jr., com um KG Porsche (3m38,2s) e Luis Pereira Bueno com Alpine (3m47,8s). Diversos carros trocaram a liderança no começo da corrida, alternando entre os KG e Alpines, e Camilo e seu jovem companheiro Eduardo Celidonio ficaram na cola. O Alpine ficou na liderança até as 4h30, até abandonar. Pace/Totó Porto assumiram a liderança com um KG-Porsche, mas também abandonaram. Passaram para a liderança os jovens Jan Balder e Emerson Fittipaldi, com um Malzoni. Parecia que finalmente a DKW ganharia a prova maior do automobilismo brasileiro, ironicamente após fechar o seu departamento de competições. Próximo do final da corrida, com 195 voltas, o motor do Malzoni ponteiro começou a ratear, e Celidônio estava fazendo voltas em ritmo forte, na base de 3m55s. Balder parou, Celidônio assumiu a ponta, e a duas voltas do final, Camilo acenou para Celidônio que era necessário abastecer. O carro parou nos boxes e morreu. Balder era o segundo, mas seu carro estava completamente combalido. A carretera finalmente pegou, e Camilo/Celidônio ganharam a corrida, além de marcar a melhor volta em 3m45s.
A vitória que faltava a Camilo fora finalmente obtida. E a meu ver, é esta vitória que faz da carretera 18 uma verdadeira lenda do automobilismo brasileiro. Foi um triunfo pessoal de Camilo Christofaro, mas inseriu a “18” na psique dos fãs brasileiros.
Camilo terminou o ano acidentado na prova da Rodovia do Café, com o carro estropiado. Apesar disso, tentou ganhar as Mil Milhas mais uma vez, em 1967 sem sucesso. Entretanto, chegara em 2o. nas 12 Horas de Interlagos e ganhara as 100 Milhas, com a 18. A carretera foi sendo renovada, ganhando pneus mais largos, e continuou competitiva nos três anos seguintes. Correndo em lugares como Curitiba, na Rodovia do Xisto, na Inauguração de Tarumã, e em Interlagos a 18 continuou a resistir ao tempo. Ganhou uma prova de arrancada na Marginal do Rio Pinheiros, e se tornou recordista brasileira de velocidade, batendo um Lamborghini Miura novinho em folha. E - acinte dos acintes - foi inscrita na Copa Brasil de 1970, torneio internacional para protótipos, que contaria com a presença de pilotos europeus e asiáticos. Apesar da fraca concorrência, a carretera não foi bem e abandonou todos os rounds.
Em 1971, o fim parecia estar próximo. Nas 12 Horas de Interlagos, abandono. Por fim, a derradeira aparição da 18, no torneio Argentino/Brasileiro, na prova Brasileira em Interlagos. Abandonou. Já na prova seguinte, Camilo estreava seu protótipo Fúria Ferrari, fechando um capítulo glorioso do automobilismo brasileiro. Esta, a última razão por esta paixão: resistiu honrosamente ao tempo, concluindo o ciclo das carreteras.
Tuesday, February 12, 2013
A última vitória de uma carretera no Brasil
Durante muitos anos as carreteras dominaram as corridas no Brasil. No sul do País eram quase hegemônicas até meados dos anos 60, sendo que os potentes híbridos só deixaram de ganhar uma das edições das Mil Milhas Brasileiras até 1966. Em 1970, entretanto, os tempos eram diferentes. Os poucos cupês Ford e Chevrolet ainda em atividade no Brasil nem eram mais chamados Carreteras, e sim protótipos, demonstrando aversão ao anacronismo dos carros. A grande maioria dos V8 havia sido aposentada . As carreteras foram substituídas por carros domésticos mais recentes, como o Opala e Fusca, uma armada de protótipos com mecânica VW, Pumas, sedãs estrangeiros como Alfa e BMW e verdadeiros bólidos, como a Alfa P33, Ford GT40 e Lola T70. O fim das carreteras estava próximo, não havia mais lugar para elas.
O LAMBORGHINI MIURA DE ALCIDEZ DINIZ, BATIDO PELA DEZOITO...

Um dos grandes expoentes das carreteras no Brasil, e indubitavelmente, o maior em São Paulo, era Camilo Christófaro. Vencedor de inúmeras disputas nos anos 50 e 60, Camilo ainda insistia com a sua famosa carretera creme, número 18, equipada com motor Chevrolet Corvette. A última vitória do carro, e a mais prestigiosa, fora nas Mil Milhas de 1966. Daí por diante, Camilo continuou a usar o carro em corridas em Interlagos, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros. Sem ganhar. Camilo gostava dos V8. Até tentara se enfronhar na modernidade, correndo uma vez com BMW em 1968, mas apesar de ter corrido na equipe semi oficial da FNM e com Ferrari, a paixão de Camilo era o V8 Chevrolet, montado nas suas carreteras e carros de mecânica continental.
Naquele ano, vez por outra ainda aparecia uma carretera nas corridas. Nelson Marcilio, Antonio Versa, Alfredo Santilli, às vezes inscreviam seus carros em provas de longa duração, e Ângelo Cunha inscrevia a sua em provas no Paraná. Mas era a 18 de Camilo a única que ainda nutria alguma esperança de bom resultado. De fato, nos 500 Km de Interlagos de 1970, prova realizada no anel externo de Interlagos, Camilo chegou a perturbar os líderes.
A grande vantagem das possantes carreteras estava nas retas, daí a competitividade no anel externo da pista paulista. Só que a grande maioria das corridas no Brasil ocorria em circuitos fechados de baixa velocidade, com muitas curvas. O anel externo de Interlagos era uma exceção. Nas curvas até a baixinha 18 de Camilo era desengonçada, o que falar das outras, menos preparadas e mais altas.
Pois bem. Interlagos ficara fechado entre 1967, após as Mil Milhas, e o começo de 1970, na etapa Paulista do Torneio BUA de Fórmula Ford. Nesse ínterim, a única prova automobilística realizada no Estado inteiro fora uma corrida de Fórmula Vê em Campinas, em 1968. Era de se esperar que algum outro tipo de manifestação automobilística surgisse em vias públicas, para suprir essa lacuna deixada por Interlagos fechado, mas não foi esse o caso. Curiosamente, depois que Interlagos abriu, passaram a se realizar provas de Recordes em Estradas e nas Avenidas Marginas de São Paulo. De fato, o evento fora realizado três vezes entre 1970 e 1971, sendo que a primeira etapa fora ganha por Bird Clemente, com um Opala, na Rodovia Castelo Branco.
Na segunda edição do festival de Recordes, realizada na Avenida Marginal do Rio Pinheiros no final de 1970, quinze concorrentes compareceram para tentar levar o caneco, e quem sabe, bater o recorde de Bird do começo do ano, 232,510 km/hr no quilometro lançado. Alguns dos carros inscritos não eram habitués das corridas em Interlagos, e pelo menos um já tinha sido aposentado há anos. Na primeira categoria, um Galaxie com imenso motor de sete litros, preparado pela Equipe Bino e pilotado por Luis Pereira Bueno. O Galaxie, lançado em 1970, não havia sido usado nas corridas brasileiras por ser um carro de imensas proporções, impróprio para as pistas brasileiras (não fazia feio em ovais, entretanto). Quando já estava em vias de ser tirado de linha, passou a ser usado na categoria Turismo 5000, mas em 1970, era impossível pensar em um Galaxie de corrida. Mas numa corrida de recordes o que vale é velocidade em reta, que se danem as curvas.
Assim, apareceram outros bólidos interessantes. Luiz Landi, filho do grande Chico, foi inscrito em uma já aposentada Ferrari Monza equipada com motor Corvette. Antonio Versa também compareceu com uma carretera com motor Corvette de 4,5 litros. O único Opala inscrito fora o de Carlos Alberto Sgarbi, com motor de 4 litros. Eduardo Celidonio apostava no seu Snob’s Corvair, apesar do motor de baixa potência e cilindrada (2,6 litros), ao passo que Expedito Marazzi aparecia com um protótipo VW, que na verdade era um Lorena Spyder. Aldo Pugliese inscreveu um Puma com motor de 1,6 litros, e Salvatore Amato veio com seu Amato-Ford. Stanley Ostrower correu com o protótipo Kinko’s VW, e diversos VW foram inscritos, obviamente sem nenhuma aspiração à vitória geral: Anatole Cirello Junior, Célio Huggermeyer Junior, Josil Jose Garcia e Luiz Filinto Jr. E mais duas vedetes.
Camilo colocou um motor de 450 HP e 5,3 litros na sua carretera, alegando ter um motor ainda mais possante na garagem, mas garantindo que esse dava para o gasto. Para essa prova, Camilo sabia que seu carro teria chances de vitória, pois a maioria dos outros concorrentes era bem fraca, apesar de outros dois Corvettes terem sido inscritos. Na reta o Corvete não faria feio, como nunca fez no retão de Interlagos.
A grande questão era a outra vedete. Alcides Diniz era um dos herdeiros do Grupo Pão de Açúcar, que tinha se apaixonado pelas corridas naquele ano. De fato, ele e seu irmão Abílio foram responsáveis pelas duas últimas vitórias das Alfas da Equipe Jolly, nas 1000 Milhas de 1970 e nas 12 Horas de Interlagos de 1971. Mas Alcides não veio com Alfa: pegou pesado, inscreveu um Lamborghini Miura de 4 litros. Os mais afoitos dirão, com razão, que os Lamborghini não eram carros de corrida. Na realidade, embora sejam fabricados há mais de 40 anos, só recentemente um Lamborghini ganhou uma corrida importante. Tudo isso é certo: os Lamborghini de fato não eram bons de pista, mas sempre tiveram excelente velocidade em linha reta. E isto bastava nesse caso.
No dia da corrida o bólido laranja italiano fez muito sucesso. O público até invadiu a pista, querendo tocar a estranha aparição. E havia gente na Marginal naquele dia, dizem que havia 40 mil pessoas no local. Esses números são sempre exagerados, mas mesmo 20 mil pessoas dariam trabalho.
O Galaxie, que em tese poderia estragar a festa devido ao monstruoso motor e excelente piloto, só conseguiu uma média de 198,192 km/h. O Lamborghini esteve entre os primeiros a largar, deleitando a platéia com o som delicioso do motor V12 e grande velocidade, alcançando a média de 224,413 km/hr. Parecia que o bólido italiano venceria a prova, apesar de Alcides indicar que teve problemas com o trambulador de câmbio do carro, que lhe casou problemas para trocar da quarta para a quinta marcas.
A 18 não deixou por menos. Camilo entrou no km lançado a 218 km/hr. Na primeira passagem, Camilo fez só 231,213 km/hr, em 15,575 segundos, ou seja, uma velocidade inferior à obtida por Bird Clemente com o Opala. Ainda daria para ganhar do Lambo, mas o recorde ficaria com Bird. No trajeto de volta, Camilo fez um esforcinho a mais, e conseguiu a média de 242,261 km/hr, fazendo uma média de 236,737 km/hr. Qual foi a velocidade máxima da carretera naquele dia? 268 km/hr, a 6700 rpm! Nada mal.
Pois o feliz Camilo conseguiu bater o chique Lamborghini, e ainda por cima, ficou com o recorde brasileiro de velocidade. A última, e merecida vitória de uma carretera no Brasil.
1 Camilo Christofaro, Carretera Chevrolet Corvette 5,3 litros, 236,737 km/hr
2.Alcides Diniz, Lamborghini Miura 3929 cm3 224,413 km/hr
3 Luis Pereira Bueno, Ford Galaxie 7 litros, 198,192 km/hr
4 Eduardo Celidônio, Snob’s Corvair 2,6 litros, 194,886 km/hr
5 Luiz Landi, Ferrari-Corvette 4 litros, 192,978 km/hr
6 Carlos Alberto Sgarbi, Chevrolet Opala 4 litros, 189,074 km/hr
7 Aldo Pugliese, Puma VW 1600, 177,572 km/hr
8. Expedito Marazzi, Prot. Lorena VW 1600, 174,900 km/hr
9. Antonio Versa, Carretera Chevrolet Corvette 4,5 l, 174,832 km/hr
10. Anatole Cirello Junior, VW 1600, 171,635 km/hr
11. Salvatore Amato, Amato-Ford 1600, 170,843 km/hr
12. Stanley Ostrower. Kinko VW, 168,564 km/hr
13. Célio Huggemeyer Jr, VW 1600, 150,226 km/hr
14. Josil Jose Garcia, VW 1600, 145,246 km/hr
15. Luiz Filinto Jr, VW 1600, 141.312 km/hr
Leia se os seguintes assuntos o interessam - carreteras, corridas de recordes, Luis Pereira Bueno, Camilo Christofaro, Opala, Lamborghini, VW, Prototipo Snob's Corvair, Eduardo Celidoneo, Ford Galaxie, Greco, Alcides Diniz, Amato, Puma, corridas em Sao Paulo, corridas em vias públicas

O LAMBORGHINI MIURA DE ALCIDEZ DINIZ, BATIDO PELA DEZOITO...
Um dos grandes expoentes das carreteras no Brasil, e indubitavelmente, o maior em São Paulo, era Camilo Christófaro. Vencedor de inúmeras disputas nos anos 50 e 60, Camilo ainda insistia com a sua famosa carretera creme, número 18, equipada com motor Chevrolet Corvette. A última vitória do carro, e a mais prestigiosa, fora nas Mil Milhas de 1966. Daí por diante, Camilo continuou a usar o carro em corridas em Interlagos, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros. Sem ganhar. Camilo gostava dos V8. Até tentara se enfronhar na modernidade, correndo uma vez com BMW em 1968, mas apesar de ter corrido na equipe semi oficial da FNM e com Ferrari, a paixão de Camilo era o V8 Chevrolet, montado nas suas carreteras e carros de mecânica continental.
Naquele ano, vez por outra ainda aparecia uma carretera nas corridas. Nelson Marcilio, Antonio Versa, Alfredo Santilli, às vezes inscreviam seus carros em provas de longa duração, e Ângelo Cunha inscrevia a sua em provas no Paraná. Mas era a 18 de Camilo a única que ainda nutria alguma esperança de bom resultado. De fato, nos 500 Km de Interlagos de 1970, prova realizada no anel externo de Interlagos, Camilo chegou a perturbar os líderes.
A grande vantagem das possantes carreteras estava nas retas, daí a competitividade no anel externo da pista paulista. Só que a grande maioria das corridas no Brasil ocorria em circuitos fechados de baixa velocidade, com muitas curvas. O anel externo de Interlagos era uma exceção. Nas curvas até a baixinha 18 de Camilo era desengonçada, o que falar das outras, menos preparadas e mais altas.
Pois bem. Interlagos ficara fechado entre 1967, após as Mil Milhas, e o começo de 1970, na etapa Paulista do Torneio BUA de Fórmula Ford. Nesse ínterim, a única prova automobilística realizada no Estado inteiro fora uma corrida de Fórmula Vê em Campinas, em 1968. Era de se esperar que algum outro tipo de manifestação automobilística surgisse em vias públicas, para suprir essa lacuna deixada por Interlagos fechado, mas não foi esse o caso. Curiosamente, depois que Interlagos abriu, passaram a se realizar provas de Recordes em Estradas e nas Avenidas Marginas de São Paulo. De fato, o evento fora realizado três vezes entre 1970 e 1971, sendo que a primeira etapa fora ganha por Bird Clemente, com um Opala, na Rodovia Castelo Branco.
Na segunda edição do festival de Recordes, realizada na Avenida Marginal do Rio Pinheiros no final de 1970, quinze concorrentes compareceram para tentar levar o caneco, e quem sabe, bater o recorde de Bird do começo do ano, 232,510 km/hr no quilometro lançado. Alguns dos carros inscritos não eram habitués das corridas em Interlagos, e pelo menos um já tinha sido aposentado há anos. Na primeira categoria, um Galaxie com imenso motor de sete litros, preparado pela Equipe Bino e pilotado por Luis Pereira Bueno. O Galaxie, lançado em 1970, não havia sido usado nas corridas brasileiras por ser um carro de imensas proporções, impróprio para as pistas brasileiras (não fazia feio em ovais, entretanto). Quando já estava em vias de ser tirado de linha, passou a ser usado na categoria Turismo 5000, mas em 1970, era impossível pensar em um Galaxie de corrida. Mas numa corrida de recordes o que vale é velocidade em reta, que se danem as curvas.
Assim, apareceram outros bólidos interessantes. Luiz Landi, filho do grande Chico, foi inscrito em uma já aposentada Ferrari Monza equipada com motor Corvette. Antonio Versa também compareceu com uma carretera com motor Corvette de 4,5 litros. O único Opala inscrito fora o de Carlos Alberto Sgarbi, com motor de 4 litros. Eduardo Celidonio apostava no seu Snob’s Corvair, apesar do motor de baixa potência e cilindrada (2,6 litros), ao passo que Expedito Marazzi aparecia com um protótipo VW, que na verdade era um Lorena Spyder. Aldo Pugliese inscreveu um Puma com motor de 1,6 litros, e Salvatore Amato veio com seu Amato-Ford. Stanley Ostrower correu com o protótipo Kinko’s VW, e diversos VW foram inscritos, obviamente sem nenhuma aspiração à vitória geral: Anatole Cirello Junior, Célio Huggermeyer Junior, Josil Jose Garcia e Luiz Filinto Jr. E mais duas vedetes.
Camilo colocou um motor de 450 HP e 5,3 litros na sua carretera, alegando ter um motor ainda mais possante na garagem, mas garantindo que esse dava para o gasto. Para essa prova, Camilo sabia que seu carro teria chances de vitória, pois a maioria dos outros concorrentes era bem fraca, apesar de outros dois Corvettes terem sido inscritos. Na reta o Corvete não faria feio, como nunca fez no retão de Interlagos.
A grande questão era a outra vedete. Alcides Diniz era um dos herdeiros do Grupo Pão de Açúcar, que tinha se apaixonado pelas corridas naquele ano. De fato, ele e seu irmão Abílio foram responsáveis pelas duas últimas vitórias das Alfas da Equipe Jolly, nas 1000 Milhas de 1970 e nas 12 Horas de Interlagos de 1971. Mas Alcides não veio com Alfa: pegou pesado, inscreveu um Lamborghini Miura de 4 litros. Os mais afoitos dirão, com razão, que os Lamborghini não eram carros de corrida. Na realidade, embora sejam fabricados há mais de 40 anos, só recentemente um Lamborghini ganhou uma corrida importante. Tudo isso é certo: os Lamborghini de fato não eram bons de pista, mas sempre tiveram excelente velocidade em linha reta. E isto bastava nesse caso.
No dia da corrida o bólido laranja italiano fez muito sucesso. O público até invadiu a pista, querendo tocar a estranha aparição. E havia gente na Marginal naquele dia, dizem que havia 40 mil pessoas no local. Esses números são sempre exagerados, mas mesmo 20 mil pessoas dariam trabalho.
O Galaxie, que em tese poderia estragar a festa devido ao monstruoso motor e excelente piloto, só conseguiu uma média de 198,192 km/h. O Lamborghini esteve entre os primeiros a largar, deleitando a platéia com o som delicioso do motor V12 e grande velocidade, alcançando a média de 224,413 km/hr. Parecia que o bólido italiano venceria a prova, apesar de Alcides indicar que teve problemas com o trambulador de câmbio do carro, que lhe casou problemas para trocar da quarta para a quinta marcas.
A 18 não deixou por menos. Camilo entrou no km lançado a 218 km/hr. Na primeira passagem, Camilo fez só 231,213 km/hr, em 15,575 segundos, ou seja, uma velocidade inferior à obtida por Bird Clemente com o Opala. Ainda daria para ganhar do Lambo, mas o recorde ficaria com Bird. No trajeto de volta, Camilo fez um esforcinho a mais, e conseguiu a média de 242,261 km/hr, fazendo uma média de 236,737 km/hr. Qual foi a velocidade máxima da carretera naquele dia? 268 km/hr, a 6700 rpm! Nada mal.
Pois o feliz Camilo conseguiu bater o chique Lamborghini, e ainda por cima, ficou com o recorde brasileiro de velocidade. A última, e merecida vitória de uma carretera no Brasil.
1 Camilo Christofaro, Carretera Chevrolet Corvette 5,3 litros, 236,737 km/hr
2.Alcides Diniz, Lamborghini Miura 3929 cm3 224,413 km/hr
3 Luis Pereira Bueno, Ford Galaxie 7 litros, 198,192 km/hr
4 Eduardo Celidônio, Snob’s Corvair 2,6 litros, 194,886 km/hr
5 Luiz Landi, Ferrari-Corvette 4 litros, 192,978 km/hr
6 Carlos Alberto Sgarbi, Chevrolet Opala 4 litros, 189,074 km/hr
7 Aldo Pugliese, Puma VW 1600, 177,572 km/hr
8. Expedito Marazzi, Prot. Lorena VW 1600, 174,900 km/hr
9. Antonio Versa, Carretera Chevrolet Corvette 4,5 l, 174,832 km/hr
10. Anatole Cirello Junior, VW 1600, 171,635 km/hr
11. Salvatore Amato, Amato-Ford 1600, 170,843 km/hr
12. Stanley Ostrower. Kinko VW, 168,564 km/hr
13. Célio Huggemeyer Jr, VW 1600, 150,226 km/hr
14. Josil Jose Garcia, VW 1600, 145,246 km/hr
15. Luiz Filinto Jr, VW 1600, 141.312 km/hr
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